ESPECIALIZAÇÃO E MEDOS INERENTES
“O que impede as empresas de se focarem numa especialização.”


Muito se discute as vantagens ou desvantagens das empresas se tornarem numa especialização ou manterem uma atuação mais genérica.

Uns defendem a especialização e a descoberta de novos nichos, outros protegem-se, afirmando que trabalhar como generalista, permite-lhes uma maior manobra de atuação.
É arriscado dizer que uma opção é melhor do que a outra, até porque cada uma delas têm as suas vantagens e desvantagens. Tudo depende do setor, da área de negócio, do capital existente, das competências humanas e até da vontade de arriscar.

Uma coisa é certa e válida para cada uma das opções.
Se optamos por ser generalistas em detrimento de especialistas, ou ao contrário, devemos manter-nos assim durante um período de tempo significativo, até que seja provado que determinada opção já não faça sentido para a organização.
A determinada altura até poderá fazer sentido entrar-se num modelo híbrido, que conjugue ser-se generalista e especialista ao mesmo tempo. Os anos de experiência e contacto com as mais variadas áreas de atuação, bem como a presença de bons e diferentes profissionais na organização, podem levar a este novo patamar. Esta última forma de atuar parece ser o cenário ideal, mas nem todos o conseguem fazer de uma forma concreta e transparente.


Já trabalhamos com organizações assumidamente generalistas que foram tentando parecer/ser especialistas [usarem o tal modelo híbrido], mas sem assumirem efetivamente essa opção. Faziam questão de dizer de usar o típico conceito de “nome especialista” by “nome generalista”.

Isto é apenas uma tentativa de arriscar sobre um nicho, mas sem arriscar muito.
No mundo das marcas isso acaba sempre por correr mal.

Quando o cliente se aperceba disso, a marca perde credibilidade sobre a sua área de atuação antiga e dificilmente ganha autoridade sobre a nova que está a tentar criar. O consumidor não é parvo e com certeza que não se sente seguro em lidar com uma empresa que tenta ser tudo ao mesmo tempo e procura atuar para o maior leque de pessoas possíveis.

Pense bem antes de querer optar por este modelo, pondere todos os fatores, o peso dessas decisões pode sair-lhe caro.


Mas afinal o que impede as empresas de focarem numa especialização?
Neste artigo apontamos 3 fatores que podem contribuir para que as empresas com menos coragem, se tornem em organizações especializadas.



1. MEDO DE SER ENTEDIANTE
Muitos executivos argumentam a vontade de continuarem a ser generalistas, justificando de que não querem estar sempre a fazer a mesma coisa.

Pelo nosso contacto, esta noção está muito colada às empresas de comunicação ou marketing, onde o espírito artístico está muito presente e a vontade de fazer coisas diferentes é grande.

Acreditamos que mesmo atuando um nicho muito específico, o trabalho possa ser sempre diferente. Nem todos os clientes são iguais, os desafios e necessidades das organizações são muitas das vezes diferentes, cada vez existem mais e novas ferramentas de trabalho para se explorar e quanto mais aprendemos mais ampla é a nossa visão e consequentemente o resultado do nosso trabalho.



2. MEDO DE OS COLABORADORES NÃO ENTENDEREM A MUDANÇA
A verdade é que isso pode mesmo acontecer.

Se procura uma transição de generalista para especialista e identifica-se com este medo, pode sempre atenuá-lo reunindo os colaboradores para debaterem sobre esta possível alternativa. Dar a novidade aos colaboradores, que a partir de agora tudo vai ser diferente, sem uma prévia conversa, só vai levantar várias vozes contra, mesmo sem saber porquê.

A razão de isto acontecer é simples. O colaborador vai ser contra a este tipo de mudança estrutural, apenas porque a opinião dele não foi tida em conta. É importante questionar e envolver a equipa em todas as decisões estruturais.

No meu bairro, qualquer alteração urbana que se faça, como alterar o sentido de deslocação, aumentar os passeios, colocar ciclovias ou novos semáforos, as pessoas ficam logo indignadas. Mesmo sem ponderarem se estas opções podem ou não, trazer mais fluidez na circulação.
A obra avança, fazem-se as alterações necessárias e nos primeiros meses, toda a vizinhança reclama. Com o tempo as opiniões mudam. algumas pessoas apercebem-se que as alterações afinal trouxeram bons resultados, outras são negacionistas e simplesmente rejeitam a mudança.

Exponha a sua visão, coloque em cima da mesa os fatores que o levaram a ponderar esta alteração, de voz aos colaborados e trabalhe um entendimento mútuo sobre a melhor opção para a organização. Lembre-se que este processo não tem de ficar concluído num dia, nem numa semana de reuniões. É algo que deve ser digerido durante algum tempo.



3. MEDO DO SETOR DE ATUAÇÃO CAIR EM DESUSO
Garantir que determinado setor vai cair é arriscado.

É evidente que muitos setores deixaram de existir, mas por outro lado, muitos mais se ergueram e com isso novas e diferentes profissões foram surgindo.

Talvez seja por nós trabalharmos maioritariamente com empresas nacionais, que esta medo se verifique com frequência. Os portugueses são muito agarrados ao passado, às raízes e tradições. Não vemos mal nisso, mas os negócios não precisam de pensar desta forma.
Hoje trabalhamos nesta área, amanhã numa qualquer outra área próxima ou numa totalmente diferente. Já lá vai o tempo em que as profissões clássicas eram as que faziam mais sentido, em quem um trabalhador exercia durante 40 anos a mesma profissão.

É notório que esses paradigmas estão passo a passo a serem alterados.
Sem fazermos comparações, nos Estados Unidos e mesmo em alguns países europeus, alguém que abre um negócio que corre menos bem, rapidamente transita para outro. A energia que move estas pessoas é o empreendedorismo, não a área de atuação. Mesmo que se goste muito de uma determinada área, em cada uma delas existem milhares de opções de trabalho e podemos ir testando a tal opção de fundar em empresa especialista.

Um amigo diz em tom de brincadeira:
“Já que não posso trocar de mulher de 5 em 5 anos, troco de profissão.
Sempre tenho algo novo com que me entreter.”

Alterações ao mercado acontecem, mas de uma forma geral podemos afirmar que hoje me dia nenhum setor é seguro. Assim sendo, se o seu medo para se tornar especialista é pensar que os eu setor vai cair em desuso, explore o seu conhecimento e replique-o para outros novos setores.



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FOCALIZAR OU DIVERSIFICAR?
©Pavel Danilyuk