A CERTEZA NAS MINHAS DECISÕES
“A tomada de decisão sobre a informação necessária.”


Durante anos trabalhamos no setor que escolhemos por nossa vontade.
Na fase inicial dedicamos mais tempo a perceber como tudo funcionava, vamos acrescentar valor ao nosso trabalho e consequentemente ao consumidor. O tempo vai passando, ganhamos mais confiança e chegamos ao ponto “padrão”.

Como quando vamos a conduzir [casa – trabalho – casa], e nem nos apercebemos do caminho que fizemos. Não porque estamos a pensar num problema específico que nos faz afastar do ato da condução, mas apenas porque aquele trajeto virou rotina.

Esse “padrão”, hábito ou rotina, pode chegar facilmente chegar à rutura.
Aquilo que distingue o padrão da rutura é um espaço muito ténue e fino que separa a certeza da convicção.

Certeza É quando sabemos que é assim que se faz, porque já fizemos muitas vezes e a nossa habilidade assim o dita.

Convicção É quando essa mesma certeza é associada a outras situações que aparentemente idênticas, mas que resultam apenas de provas morais.

“O ser humano tem a tendência para interpretar a informação de forma a afirmar a sua suposição ou convicção existente. Ou vice-versa: O ser humano bloqueia as informações que contradizem a sua opinião.”

Isto é natural. Resta-nos perceber onde queremos chegar.
Queremos continuar na rotina ou a fazer o exercício de ponderar e parar para pensar?

Sobre as condições profissionais, muitas vezes queixamo-nos de como as coisas estão a correr. Mas poucas vezes paramos para pensar e ponderar hábitos que possam estar a impedir a alteração a essas condições.
Se sempre fizemos assim e resultou, porquê estar a fazer de maneira diferente?
Se queremos resultados diferentes, não convém continuarmos a agir da mesma forma.

Vamos ponderar uma qualquer reunião onde vão ser debatidos temas estruturais sobre processos de trabalho e funcionamento geral da organização. Estão presentes os altos quadros, o responsável por cada uma das áreas de atuação e os respetivos finais de linha.

Para que garantirmos a certeza nas nossas decisões, sem cair na convicção, usamos 3 simples métodos, que nos permitem ter as informações necessárias e assim evitar o erro.


01. SUSPENDER A INTUIÇÃO
“Excluirmos hábitos e rotinas.”

Vivermos de que sabemos perfeitamente como as coisas funcionam trazem-nos bastante conforto, mas ao mesmo tempo, encurtam o entendimento sobre pequenos detalhes que podem fazer toda a diferença.

Nesta fase estamos com o espírito aberto.
Livramo-nos de todos os ideais e de todas as convicções que temos vindo adquirir ao longo do tempo.


02. ATIVAR A OBSERVAÇÃO
“Entramos em modo de contemplação.”

Observamos como todos os intervenientes se comportam, procuramos entender o que eles mais valorizam, as necessidades e desejos de cada um e quais os seus limites e tolerâncias.

Colocamo-nos do lado de fora e observamos como um estranho.
Fingimos que não estamos ali. Estamos apenas a observar, a ouvir e absorver o máximo de informação.

Nesta fase praticamos a escuta ativa.
Recolhemos notas sobre a opinião das outras pessoas, em detrimento da possível resposta que possamos vir a dar.


03. PERGUNTAR PORQUÊ
“Iniciamos a nossa intervenção.”

Exigimos que se faça silêncio da mesma forma que o fizemos durante a intervenção das outras pessoas.
Analisamos e classificamos por grau de importância os pontos de discussão.

Nesta fase, queremos encontrar o que não estamos a ver.
Continuamos na ignorância e usamos perguntas estratégicas para recolher informação preciosa.
— Porquê assim?
— Quais as probabilidades?
— Onde o vai levar?
— Qual a tangibilidade e intangibilidade desta ação?

Provocamos o pensamento e novas perspetivas de ver o problema.
Sabemos que a primeira ideia raramente é a melhor ideia.
Somos curiosos e voltamos às questões.
— E que mais?
— Porquê que você acredita que isto vale a pena perseguir?
— Que obstáculos precisa de ultrapassar?

“Quando a tomada de decisões é dominada pela vontade de manter contente quem está dentro da organização, esta pode facilmente cair na armadilha da sua própria inércia.” Joan Magretta

Resumindo, para obtermos a informação que necessitamos, isso implica suspender a intuição, excluir a imposição lógica, observar como os outros se comportam e começar com o porquê.

Relembramos outras questões que nos podem auxiliar na tomada de decisão.
— Este é um grande problema, uma vez resolvido, causará impacto no seu negócio?
— Qual é um problema que você não conseguiu resolver até agora e gostaria muito de o ver solucionado?
— O que aconteceria com o seu negócio se o problema permanecesse sem solução?

Idealmente chegamos a um acordo mútuo.
Tomamos uma decisão e com a certeza de que escolhemos aquele caminho e não todos os outros. Estamos a definir “o que vamos fazer” ao mesmo tempo que “o que não vamos fazer”.



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SOBRE ESTE TEMA RECOMENDAMOS DOIS LIVROS
OS 7 HÁBITOS DE PESSOAS ALTAMENTE EFICAZES Stephen Covey
Este livro tem uma forte incidência na psicologia e no entendimento claro sobre as nossas escolhas e como as conseguiremos influenciar.

HÁBITOS ATÓMICOS James Clear
Este um pouco mais prático e com uma leitura mais leve. Ensina como criar novos hábitos e excluir os que menos gostamos.

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